sábado, 28 de abril de 2012

- O bom combate!


Por: Míriam Leitão e Alvaro Gribel
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Ao longo do belo voto do ministro Ricardo Lewandowsky, ontem, a favor das cotas raciais nas universidades brasileiras, foram sendo desmontados, um a um, os argumentos que nos últimos dez anos tanto espaço tiveram na imprensa brasileira. O ministro mostrou que o princípio da igualdade evoluiu do simplesmente declaratório para a fase em que se trabalha para a construção de um país menos desigual.
Joaquim Nabuco, um dos fundadores da pátria brasileira - já citado aqui nesta mesma coluna, neste mesmo tema - disse em frase insuperável: "Não basta acabar com a escravidão, é preciso destruir sua obra." No voto do ministro Lewandowski o que se vislumbra é a possibilidade de dar mais um passo na destruição do resquício desse passado que temos carregado como bola de ferro atada aos pés da Nação.
O julgamento foi suspenso ao fim da apresentação do voto do relator e só hoje será retomado. É aguardar o amanhã. Foi um longo caminho até aqui. Foram mais de dez anos de intensos debates e inúmeras experiências de ação afirmativa pelo país. Os argumentos se enfrentaram intensamente. Nem sempre com a honestidade intelectual exigida por questão desse porte. Houve manifestos contra e a favor.
Ontem, o voto do relator foi pela constitucionalidade da política de cotas e do critério racial. Alguns apartes e o elogio do presidente do tribunal, ministro Ayres Brito, definindo o voto como corajoso, vigoroso e consistente, mostram que há chances de que as ações afirmativas tenham a maioria dos votos.
Atualmente, segundo o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj, são setenta as universidades federais e estaduais nas quais as políticas de ação afirmativa favorecendo negros, índios e pobres foram implementadas, com diferentes métodos. A prática demoliu os temores levantados pelos críticos das cotas: que haveria conflito nas universidades, que haveria queda da qualidade, que os cotistas não teriam bom desempenho, que se quebraria o princípio do mérito.
A realidade provou o contrário. Não houve conflito, a qualidade não caiu, os cotistas tiveram desempenho semelhante aos não cotistas, o princípio do mérito não deixou de existir.
O ministro relator demoliu outros sofismas. Houve quem dissesse que não se poderia adotar cotas raciais porque não há raças. De fato, não há, mas a sua inexistência não impediu que houvesse racismo. "Se o critério de raça foi usado para se construir hierarquia deve ser usado para desconstruí-la." O temor de que a política quebrasse o princípio constitucional da igualdade começou a ser enfrentado pela vice-procuradora-geral da República, Débora Duprat, que mostrou que esse princípio evoluiu na Constituição de 1988 com o tratamento diferenciado aos desiguais. "É preciso analisar com o coração aberto por que as ações afirmativas de recorte racial provocam tanto desassossego." A vice-procuradora questionou o mito da democracia racial: "Não precisamos de dados estatísticos, basta um olhar na composição dos cargos do alto escalão do Estado brasileiro ou nas grandes corporações e, na contrapartida, olhar para a população carcerária desse país, e para quem é parado pela polícia nas cidades brasileiras." Ela chamou de "reducionismo inaceitável" a tese de que a redução da desigualdade social resolveria o racismo. Lewandowski completou dizendo que "o modelo constitucional brasileiro contempla a justiça compensatória".
Lewandowski derrubou também - e com a ajuda do aparte do ministro Joaquim Barbosa - a ideia sempre repetida no Brasil de que a Suprema Corte americana julgou as ações afirmativas inconstitucionais. Eles disseram que por duas vezes o que a Suprema Corte fez foi o oposto: garantiu sua constitucionalidade.
O ministro esclareceu que a política não nasceu nos Estados Unidos, mas na Índia, de Mahatma Ghandi, na luta contra o odioso - e ainda presente, ainda que ilegal - sistema de castas no país. Sobre o risco de se quebrar o princípio do mérito que é usado no vestibular, Lewandowski lembrou que "mérito de quem está em desigualdade não pode ser linear". Um sistema de ingresso na universidade pretensamente isonômico pode acabar consolidando as distorções existentes no país e reproduzindo a mesma elite dirigente, disse o ministro.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade que questiona o sistema de cotas, e foi considerada improcedente pelo relator, é de autoria do Democratas. O grande defensor da tese do DEM hoje está às voltas com outros problemas, o senador Demóstenes. Ele conquistou muitos admiradores entre os adversários das cotas com argumentos pedestres, como o que culpava os africanos pela escravidão. Na época, eu o chamei de "sem noção". Isso, sabe-se hoje, é dizer o mínimo.
O combate ainda não acabou. Será preciso concluir o julgamento no Supremo para retirar a insegurança jurídica sobre a política que já aumentou a diversidade nas universidades brasileiras. Mesmo se o sistema for aprovado, ainda não será o fim do combate, mas antes um novo início. Há um longo caminho a andar na busca de um país mais plural e mais justo. Mas o voto do ministro Lewandowski ilumina a estrada.




Fonte: O Globo 

terça-feira, 24 de abril de 2012

- Amanhã a partir das 13h!


CONTRA SÉCULOS DE NEGAÇÃO, UM PRESENTE VÍVIDO DE AFIRMAÇÃO!


Vamos todas participar da História em movimento, as cotas mudaram positivamente os rumos do Brasil e precisam mudar muitíssimo mais, para bem melhor!!

Vamos libertar de vez nosso país das feridas coloniais!

Amanhã, 25 de abril de 2012 às 14h no Supremo Tribunal Federal em Brasília, julgamento da ação que discute a constitucionalidade do Sistema de Cotas Para Negras/os nas universidades! 

Antes e paralelamente ao julgamento, mobilização e ato público na Praça dos 3 Poderes, Cotas Sim!!!!!!!!!!

=> Ônibus saindo às 14h da UnB Asa Norte, no Centro de Convivência Negra!

Por favor, divulgar para todos os seus contatos!



Para saber mais:


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- Salve as cotas para população negra nas universidades!





Link para artigo:





Julgamento da ação do partido DEMOcratas contra o Sistema de Cotas Para 


Negras/os da Universidade de Brasília e no Brasil! Amanhã, 25 de abril de 




2012, às 14h no STF! Que caia essa ação reacionária e colonialista!




CONTRA SÉCULOS DE NEGAÇÃO, UM PRESENTE VÍVIDO DE 
AFIRMAÇÃO!





sábado, 21 de abril de 2012

- STF julgará constitucionalidade de cotas raciais nas universidades na próxima quarta-feira!


AÇÃO FOI AJUIZADA PELOS DEMOCRATAS CONTRA A UNB. JULGAMENTO ESTÁ PREVISTO PARA QUARTA-FEIRA
cotas-votacao-stfO presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto, informou que pretende levar a julgamento na próxima quarta-feira a ação que discute a constitucionalidade das cotas raciais para ingresso em universidades públicas. O ministro relator Ricardo Lewandowski já liberou o voto desde maio do ano passado mas até agora não havia sido apreciada em plenário.
Lewandowski é relator de duas matérias que tratam diretamente desse assunto. A que entrará na pauta é a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186, impetrada pelo Democratas (DEM) contra a Universidade de Brasília (UnB) que reserva de 20% das vagas previstas para estudantes afrodescendentes. A ação foi impetrada em 2009.
A outra matéria que entrará na pauta, também ligada às cotas raciais, é a de um estudante gaúcho que alega ter sido prejudicado com o sistema de cotas implementado pela Universidade Federal do Rio Grande do sul (UFRGS). No Recurso Extraordinário 597.285 ele alega ser inconstitucional esse tipo de medida.
Primeiro julgamento com Ayres Britto à frente
Esse será o primeiro julgamento da era Ayres Britto à frente do Supremo. Estas decisões servirão como jurisprudência para o sistema de cotas instituído em várias universidades públicas brasileiras. Em 2011, existiam no Brasil aproximadamente 110 mil cotistas negros em 38 universidades federais e 32 universidades estaduais. O sistema de cotas começou a ser adotado em 2001 no Rio de Janeiro.

- STF adia decisão sobre ADI quilombola Publicado em: 20/04/2012 10:57:01


sábado, 14 de abril de 2012

- 16 e 17 de abril de 2012, Audiências Públicas no Senado e na Câmara sobre julgamento da ADI Quilombola! - JUSTIÇA SOCIAL E JUSTIÇA HISTÓRICA!


Audiências Públicas no Senado e na Câmara sobre julgamento da ADI Quilombola! - JUSTIÇA SOCIAL E JUSTIÇA HISTÓRICA!

16/04/2012 e 17/04/2012!


Será na quarta-feira dia 18 de abril de 2012, no Supremo Tribunal Federal – STF, o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 3239/2004 contra o reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras quilombolas. Porém, as mobilizações se iniciarão já no começo da semana. 

=> Na segunda-feira dia 16 de abril de 2012, às 9h no Plenário 2 do Senado Federal, acontecerá Audiência Pública para debater o julgamento. 
Participantes:

  • Ivo Fonseca pela Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas - CONAQ

  • Frei David pela Educafro

  • O antropólogo Alfredo Wagner de Almeida da Nova Cartografia Social

  • Fernando Prioste pelo Terra de Direitos

  • Carlos Moura pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB

  • Silvany Euclênio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR

  • Richard Tomasiano pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA

  • Alexandro Reis e Ludmila Farias pela Fundação Cultural Palmares

=> No dia 17 de abril a audiência será na Câmara Federal. 


E no dia 18 de abril de 2012 cerca de 800 quilombolas vindos de vários Estados estarão mobilizados em um grande ato em frente ao Supremo Tribunal Federal. 

Todos na luta em defesa dos direitos quilombolas conquistados por meio do Decreto 4.887/2003 e da Constituição Federal de 1988!!!

**Abaixo-assinado contra a aprovação da ADI 3239 no Supremo Tribunal Federal**: 

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23370






    CONTRA SÉCULOS DE NEGAÇÃO, 
UM PRESENTE VÍVIDO DE AFIRMAÇÃO!

7ª Edição do Nosso Jornal

Em 2002, quando cantavam as estrofes do samba “Moleque Atrevido” de Jorge Aragão a capela no anfiteatro 09 para uma plateia de estudantes ne...