quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Somos todas Raimundo Matias! - CONTRA SÉCULOS DE NEGAÇÃO, UM PRESENTE VÍVIDO DE AFIRMAÇÃO!



Morte de estudante da UFPE cercada de mistério

Postado em: 10 jan 2013 às 14:31

Falta uma explicação razoável sobre a morte de Raimundo Matias Dantas Neto, o Samambaia, estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Amigos e familiares do estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Raimundo Matias Dantas Neto, realizarão um protesto às 16 horas deste domingo para cobrar o esclarecimento sobre a morte dele. O rapaz saiu de casa na quarta-feira passada, dizendo que iria comprar um notebook no Centro do Recife para poder lecionar História e desapareceu.
Seu corpo foi encontrado na manhã da sexta-feira, na praia de Boa Viagem, em frente ao edifício Brigadeiro Eduardo Gomes, trajando apenas uma bermuda com a Carteira de Reservista no bolso. O caso está cercado de mistério.
samambaia estudante universitário ufpe
Raimundo Matias Dantas, conhecimento como Samambaia, foi encontrado morto na praia. Foto: Arquivo pessoal
A família questiona a falta de acesso para a identificação do corpo no Instituto de Medicina Legal (IML) e a liberação muito rápida. A Declaração de Óbito foi assinado pela médica legista Ana Dolores do Nascimento que identificou “asfixia por afogamento”. Irmã do estudante, Martinha Matias Dantas disse que o acesso foi proibido em duas visitas sob o argumento de que a Carteira de Reservista encontrada no bolso dele já o identificava.
Segundo familiares, a perita falou que o corpo não apresentava ferimentos ou escoriações e estava com roupa. Mas na segunda tentativa foram mostradas fotos nas quais o estudante estava sem blusa, parte dos seus dreads foram arrancados, existiam escoriações pelo corpo, a bermuda estava rasgada e seu pescoço parecia deslocado.
Abaixo, o relato de Bruna Machado Simões, amiga do estudante, sobre o ocorrido. Em seguida, a nota do departamento de Ciências Sociais da UFPE.

“Samambaia” – Raimundo Matias Dantas Neto, aluno do curso de Ciências Sociais da UFPE

Nosso querido amigo Samambaia saiu de casa na quarta-feira, dia 02/01 por volta das 19 h, informando a família que iria comprar um notebook. Nesse mesmo horário, um amigo dele entrou em contato para confirmar sua participação na “pelada” da quinta-feira, ele confirmou. Depois disso não se teve mais notícias dele. A família começou a procurar em hospitais, delegacias e nada. Na quinta-feira, a notícia do desaparecimento foi divulgada pelo programa “Ronda Geral”.
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Na madrugada da quinta para sexta, o corpo dele foi encontrado na praia de Boa Viagem, na altura do posto 57.
A família compareceu ao IML na sexta feira pela manhã, mas só tomamos conhecimento do desaparecimento dele depois da matéria exibida na TV, mais ou menos às 13:30 da tarde. A partir disso houve uma mobilização pelas redes sociais, até que de fato foi confirmado que o corpo dele já estava no IML. Quando conseguimos o telefone da família dele, entramos em contato e em seguida fomos ao IML. Chegando lá, conversamos com os parentes, e no atestado de óbito continha ‘ASFIXIA POR AFOGAMENTO’. Durante a conversa perguntamos se os parentes haviam visto o corpo, e eles disseram que foram PROIBIDOS, pois como a carteira reservista dele se encontrava no bolso, o corpo já estava “identificado”.
Questionamos e duas pessoas acompanharam o irmão dele em um nova tentativa de reconhecer o corpo, e mais uma vez lhe foi negado o direito de reconhecer o corpo do irmão.
“O por quê dessa agonia para vermos o corpo”? perguntou a perita que falou com a família de manhã. Segundo ela, havia relato que o corpo estava liso, sem nenhum ferimento ou escoriação, e estava de roupa. Achamos estranho pois, se foi por asfixia, haveria marcas no corpo. Nessa nova ida houve uma pressão para reconhecer o corpo estava notório o desconforto da pessoa que nos atendeu e sua constante tentativa de negar aos familiares o corpo de Samambaia.
Depois de muita insistência, foi mostrado um documento que contém fotos no momento em que o corpo chegou ao IML, nessas fotos foi visualizado que: ELE ESTAVA SEM BLUSA (a perita havia dito que ele estava vestido), PARTE DOS SEUS DREADS FORAM ARRANCADOS, HAVIA SIM ESCORIAÇÕES PELO CORPO, A BERMUDA DELE ESTAVA TOTALMENTE RASGADA, E O PESCOÇO ESTAVA APARENTEMENTE DESLOCADO.
Conseguimos uma advogada (mãe de uma aluna de pedagogia), ao relatarmos o caso para ela, ela começou a nos dar diretrizes. O IML queria se livrar do corpo sem ao menos esclarecer a morte. Na delegacia consta “morte a esclarecer”, no IML “asfixia por afogamento” e nada mais)… Quando se trata de uma asfixia se trata de um homicídio. Ao saber do caso a advogada nos orientou que o corpo não poderia sair do IML pois perderíamos as provas.
samambaia estudante ufpe
Familiares e amigos preparam ato no último adeus a Raimundo Matias Dantas Neto, estudante universitário encontrado morto.
Hoje de manhã voltamos ao IML para falar com diretor, porém ele não trabalha nos finais de semana. Fomos pedir esclarecimento da causa morte, e ninguém soube dar explicação. Daí fomos com a família e a advogada, ao DHPP. Chegando lá depois de muita conversa, a delegada orientou que o corpo não fosse retirado do IML, pois como o caso não havia sido registrado como homicídio o DHPP não poderia instaurar o inquérito.
A delegada fez um ofício com pedido de URGÊNCIA que fosse feito um exame TOXICOLÓGICO. Voltamos com esse ofício para o IML, e mais uma vez houve um total descaso: primeiro não quiseram receber o ofício enviado pelo DHPP. Disseram que teríamos que esperar a perita que havia feito a perícia anterior. Isso era por volta das 11h, e essa perita chegaria às 13h.
Ficamos a sua espera, deu a hora e nada dela chegar e ninguém mais sabia onde encontrá-la. O perito que estava de plantão recebeu o ofício solicitando o exame e falou que haveria uma nova perícia.É isso galera. Estão tratando o caso como mais um preto e pobre assassinado. Lá, eles chamam ‘ZÉMICIDIO’, apenas mais um na estatística. Queremos o apoio de todos. Quem tiver contato com a mídia, seja ela televisiva ou jornal impresso, por favor, que entrem em contato.
Tentaremos obter apoio da UFPE e do reitor para que haja um posicionamento da Secretaria de Defesa Social, não podemos deixar de cogitar a hipótese de crime racial.
Queremos justiça!

Nota do Departamento de Ciências Sociais e do Curso de Ciências Sociais da UFPE

Morte de Raimundo Matias Dantas Neto
SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JANEIRO DE 2013
O Departamento de Ciências Sociais e o Curso de Ciências Sociais da UFPE, apoiados por vários Programas de Pós-Graduação e Cursos que compõem o Centro de Filosofia e Ciências Humanas desta Universidade, tentaram publicar nos principais Jornais do Estado de Pernambuco a nota abaixo. Um destes jornais chegou a cobrar de nossa Chefe de Departamento a soma de R$ 6.000,00 pela oportunidade de publicar o pequeno texto em sua íntegra… Pedimos, encarecidamente, aos leitores deste blog que divulguem a nota em suas redes, já que se trata de um fato e uma questão que nos dizem respeito como cidadãos.
O Departamento de Sociologia e a Coordenação do Curso de Ciências Sociais da UFPE, diante da trágica morte do estudante do Curso de Ciências Sociais Raimundo Matias Dantas Neto, encontrado morto na madrugada do último dia 04, em circunstâncias ainda não esclarecidas e que dão margem à suspeita de que não teria sido uma morte acidental por afogamento, vêm de público reivindicar das autoridades responsáveis pela investigação em curso uma apuração rigorosa das condições que provocaram seu trágico desaparecimento. Esta nota vem juntar-se às manifestações do corpo discente no sentido de um esclarecimento cabal dessas condições, de modo que à dor de sua perda tão sentida por seus colegas e familiares, a quem prestamos solidariedade, não venha somar-se o sofrimento, para o qual não há luto, de qualquer dúvida sobre as circunstâncias de sua morte.
Recife, 07 de janeiro de 2013.
Maria da Conceição Lafayette de Almeida – Chefe do Departamento de Sociologia
Eliane Maria Monteiro da Fonte – Coordenadora do Curso de Ciências Sociais
Também Subscrevem essa nota:
José Luiz Ratton – Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
Lady Selma Albernaz – Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia
Patrícia Pinheiro de Melo – Chefe do Departamento de História
Maria do Socorro Abreu de Andrade Lima – Coordenadora do Curso de História
Gabriela Tarouco – Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política
Daniel Rodrigues – Diretor do Centro de Educação
Ana Cristina Fernandes – Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geografia
Cláudio Ubiratan Gonçalves – Chefe do Departamento de Geografia
Fernanda Torres – Coordenadora da Graduação em Geografia
(Acerto de Contas, Diário Pernambucano e Que Cazzo é Esse)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

- Estudante de filosofia da Unifesp de Guarulhos (SP) comete suicídio dentro da faculdade


Chega mais papai noel, nós tb não existimos... Brasil véi, mostra sua cara! x-(

CONTRA SÉCULOS DE NEGAÇÃO, UM PRESENTE VÍVIDO DE AFIRMAÇÃO!


"Agonias que sobrevivem,
Em meio a zorras e covardias,

Periferias,vielas e cortiços,
Você deve tá pensando,
O que você tem a ver com isso...

Desde o início,
Por ouro e prata,
Olha quem morre,
Então veja você quem mata,

Recebe o mérito
a farda que pratica o mal,
me ver pobre, preso ou morto,
já é cultural

Histórias, registros,
Escritos,
Não é conto,
Nem fabula,
Lenda ou mito..."


=>

Luiz Carlos de Oliveira, de 20 anos, foi encontrado suspenso com uma corda no pescoço na escadaria do Centro Acadêmico; de acordo com amigos, ele era rejeitado por alguns colegas da faculdade pelo fato de ser negro e pobre
17/12/2012
José Francisco Neto
da Redação (Brasil de Fato)

Luiz Carlos de Oliveira, de 20 anos, estudante de filosofia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em Guarulhos, se suicidou na manhã de sábado (15) após uma festa de inauguração de um Centro Acadêmico (C.A.). Luiz Carlos foi encontrado por amigos, por volta das 10h, suspenso com uma corda no pescoço na escadaria do C.A..
De acordo com alunos, os motivos que levaram o jovem a cometer o suicídio podem ter sido vários. Luiz Carlos, segundo amigos, era rejeitado por alguns colegas da faculdade pelo fato de ser negro e pobre. Outros também disseram ao Brasil de Fato que o estudante passava por desgaste emocional, crises existencias, motivos emocionais e problemas financeiros.
"Não deixe que essa universidade, ou melhor, algumas pessoas que nela estão, te contaminem assim como um dia fizeram comigo", essa foi a útima frase dita por Luiz Carlos ao seu amigo Samuel do Nascimento.
O fato causou comoção entre os colegas e as pessoas que tiveram contato com Luiz Carlos. Algumas mensagens na página do Facebook da Unifesp demonstram o sentimento dos estudantes.
Uma estudante escreveu que Luiz Carlos admitia que se sentia sozinho e sem controle sobre si. "Sempre reconheceu prontamente isso e as consequências de quando extrapolava, que se envolvia na esperança, mesmo que mínima, de que alguém o aceitasse por completo, e ele percebia que não era assim [...] ele sabia quando se sentia usado por falsos amigos, que ele não sabia quando existia falsos amigos, mas percebeu cedo que existia muitos assim na faculdade."
Para o colega Luís Fernando Tedesco, a última mensagem que Luiz Carlos deixou foi: “Você não está amando? Então procure fazer isso! Vai se sentir bem melhor”.
Em nota, a Unifesp lamentou a morte do estudante e informou que está prestando apoio a sua família. O corpo do jovem, que completaria 21 anos daqui a um mês, foi enterrado na tarde de domingo (16) no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo.

Leia algumas mensagens deixadas no Facebook por amigos de Luiz Carlos:
"Perdemos um grande homem, um artista sem igual! Luiz Carlos de Oliveira você sempre estará vivo no meu coração!"
"Precisamos ser fortes... mais um amigo querido que se vai neste ano tão duro, difícil e revelador. Te vi tão em paz semana passada e agora esta triste notícia... Vá em paz meu amigo!!"
"Perdi uma pessoa que também me ensinou a ser um artista problematizador e um homem de verdade: Luiz Carlos de Oliveira."
"Diriam que o humor dele não era humor. Um sujeito que vivia rindo, pouco importando para se encaixar numa ideologia política teórica, para se enquadrar numa forma de bolo e sair militanto por isso ou aquilo. Uma pessoa que não tinha medo de dizer o que pensava, que falava das entranhas aquilo que tinha vontade sem nem temer gritos ou dedos sendo apontados para sua cara. Atitude é a virtude que agora nos vem quando lembramos de sua imagem, que está impregnada no seu corpo e entrelaçada com as várias esperanças que temos dessa coisa que colocaram o nome de UNIFESP-Guarulhos."

terça-feira, 20 de novembro de 2012

o/


FELIZ DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA 2012 PARA TODAS/OS!


Salve o 20 de novembro, lindo! Dia da Consciência Negra 2012, 317 anos da ascensão de Zumbi dos Palmares para o Orun, herói da pátria e de toda a humanidade em nome da justiça funda e do infinito!


#ANTI-RACISMO #REPARAÇÃO #AFIRMAÇÃO #REC
ONHECIMENTO #VIDAVIVA




"é por nós, por amor...!"



Salves de puro amor em reluzente brilho negro de luzes douradas de mamãe Oxum para todas a milhares de culturas, comunidades e povos negros desse Brasil e desse mundão! 



E pra todis demais seres vivos também né, nossa glória é marcada-marcante e de protagonismo próprio, e infinitivamente inclusiva, ampla, fértil, como o pretume das imensidões, hehehe!






"Eu visto preto por dentro e por fora, guerreira, poeta entre o tempo e a memória..."


*


"Vem celebrar comigo que todo dia algo tentou me matar, e fracassou!"



*


"Raízes fortalecidas, encravadas com magia, para caules a sustentar, ramos tocando o céu..."




"Cada negra(o) que se torna consciente de seu valor como pessoa humana, que resgata sua auto-estima valorizando seu ser e sua cultura, é uma negra(o) que deixa vazio o túmulo no qual a ideologia racista tenta nos manter mortas(os) sob a pedra da inferioridade..."



Várias atividades em vários lugares do Distrito Federal, todos os dias dessa semana, confiramos, divulguemos! :



Programação do Ministério Pùblico Federal: http://consciencianegrampf2012.blogspot.com.br/





"Quadras e quadras e quadras e quadras cirandas, cirandas, cirandas "b boys" e capoeiristas
Velhos sonhos, novos nomes, velhos sonhos, novos nomes na avenida
O folclore é hardcore, e ataca o nosso momento
Abre a roda quem tá fora e quem tá dentro participa,
O folclore é hardcore, instiga alegria
Em respeito 'da pessoa' ao tambor,
Do ritmo que domina com louvor
Do fato de estarmos juntos sem pavor,
Pois o instinto é coletivo meu senhor. ! ...

... 
Essa dança não faz seleção
Para 'a pessoa' do samba, para 'a pessoa'  do funk, para  'a pessoa'  do bangra
Baile da furacão, folia de reis Kuarup e o boi Mamão
Nossa identidade é nosso lar
Dentro dessa área, dessa área de exclusão
Comandante Marcos Afrika Bambaata Padre Cícero e Lampião
Contra a mente de exclusão, sempre souberam
Que o instinto é coletivo meu irmão!"



CONTRA SÉCULOS DE NEGAÇÃO, UM PRESENTE VÍVIDO DE AFIRMAÇÃO!


e,  "Só podemos esquecer o que temos coragem de lembrar..." 

 ternura, mas sem deixar de endurecer preciso => 


#hastalavitoria o/


o/


domingo, 27 de maio de 2012

Mobilização pelo PNE


Carta aos Parlamentares da Comissão Especial destinada a proferir parecer sobre o projeto de lei n.º 8035, de 2010 – Plano Nacional de Educação.


Brasília, Brasil, maio de 2012.

Prezado(as) Deputado(as),


O Movimento Negro Unificado (MNU) e o Nosso Coletivo Negro/DF (NCN) vêm por meio desta CARTA ABERTA solicitar a presença e a participação dos senhores e senhoras Parlamentares à votação do relatório do Deputado ANGELO VANHONI sobre a Lei nº 8035/2010, que define o Plano Nacional de Educação.
A educação é um instrumento crucial na luta anti-racista no Brasil. Sabemos que as escolas constituem um locus de produção e reprodução do racismo tanto pelas práticas de discriminação no ambiente escolar, quanto pelo currículo quando não contempla a história, cultura e diversidade racial, no que tange à população negra. Fazem-se necessárias políticas públicas para propiciar a promoção e valorização da cultura, identidade e história da população negra, tais quais as ações previstas no PNE.
 Enquanto fenômeno sociocultural presente em todas as dimensões da vida coletiva, o racismo é pilar de centralidade na fisiologia da miséria nacional, infelizmente, robusto entrave ao real e justo desenvolvimento humano e econômico do país, pois, é experiência vexatória que, ao desumanizar a população por ele vitimada - no Brasil especialmente a população afrodescendente de fenótipo negro - reduz infinitas oportunidades de cidadania e gera um sem número de prejuízos e portas fechadas para essa população.
Assim, pedimos apoio à manutenção dos artigos que abordam a adoção de medidas voltadas às Políticas de Ações Afirmativas à população negra, à Educação Quilombola, à Educação das Relações Etnicorraciais e ao  Ensino de História e Culturas Africanas e Afro-brasileiras. Entendemos que o fim das desigualdades raciais existentes no Brasil se dará, em grande medida, através da educação formal, de modo que o Estado deve prover o combate à desinformação e à perpetuação dos preconceitos vivenciados pela população e expressões culturais afro-brasileiras. Portanto, contamos com a vossa participação nessa sessão que ocorrerá na próxima terça-feira, 29/05/2012, no Anexo II, Plenário 10, Câmara dos Deputados, às 14h30.

Atenciosamente,

Movimento Negro Unificado (Núcleo Brasília)
e Nosso Coletivo Negro/ DF



8413.7199/8402.5575/ 8536.8966

sábado, 28 de abril de 2012

- O voto de cada ministra/o do STF no julgamento sobre a constitucionalidade das cotas para negras/os:



Link:

- Cotas para a população negras nas universidades são aprovadas por 10 X 0 no STF!


Supremo julga ação do DEM que questiona sistema de cota racial da UnB. Seis ministros votaram pela constitucionalidade das cotas raciais; faltam 3.
negroscotas1Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou nesta quinta-feira (26) as universidades públicas brasileiras a adotar políticas de reserva de vagas para garantir o acesso de negros ao ensino superior. O tribunal decidiu que as políticas de cotas raciais em instituições de ensino superior estão de acordo com a Constituição e são necessárias para corrigir o histórico de discriminação racial no Brasil.
Em dois dias de julgamento, o tribunal discutiu a validade da política de cotas raciais adotada pela Universidade de Brasília (UnB), em 2004, que reserva por dez anos 20% das vagas do vestibular exclusivamente para negros e um número anual de vagas para índios independentemente de vestibular. O DEM, autor da ação contra as cotas raciais, acusou o sistema adotado pela instituição de ensino, no qual uma banca analisa se o candidato é ou não negro, de criar uma espécie de "tribunal racial".
negroscotas2Com o voto do ministro Gilmar Mendes, a maioria do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestou a favor da política de cotas raciais na Universidade de Brasília. Caso esse entendimento seja mantido - os ministros ainda podem mudar o voto até o fim do julgamento -, o Supremo vai validar o sistema de reserva de vagas em instituições de ensino superior para negros e indígenas.
Dos dez ministros que analisam o tema, sete votaram a favor da legalidade das cotas raciais. O relator Ricardo Lewandowski foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso. Aindão vão votar Gilmar Mendes, Celso de Mello, Marco Aurélio e o presidente da corte, Ayres Britto. Dias Toffoli não participa do julgamento porque elaborou parecer a favor das cotas quando era advogado-geral da União.
stfplenariodentroDe acordo com dados da Advocacia-Geral da União (AGU), 13 universidades brasileiras possuem políticas de cotas raciais e outras 20 combinam o critério de raça com a questão social para fazer a seleção dos candidatos. A decisão do STF não proíbe outras ações em relação a cotas para ingresso no ensino superior, porque as universidades têm autonomia para definir suas políticas.
O julgamento foi iniciado nesta quarta-feira (25) com as manifestações dos advogados das partes e de representantes de entidades interessadas no assunto. No início da noite a sessão foi interrompida e retomada nesta quarta. Estão na pauta outras duas ações que abordam cotas raciais combinadas com o critério de o estudante vir de escola pública.
A maioria dos ministros da Corte acompanhou o voto do relator da ação, ministro Ricardo Lewandowski, pela validade dos sistemas de reserva de vagas com base em critérios de raça.
Para o relator, a política de cotas da UnB "não se mostra desproporcional ou irrazoável e é compatível com a Constituição". Ele afirmou que o sistema utilizado, que têm período de vigência de 10 anos, pode ser usado como "modelo" para outras universidades.
O modelo que o Supremo tenta estabelecer, se o meu voto for prevalente, é esse modelo de que não é uma benesse que se concede de forma permanente, mas apenas uma ação estatal que visa superar alguma desigualdade histórica enquanto ela perdurar", destacou o relator após o julgamento.
Nesta quinta, o julgamento recomeçou com o voto do ministro Luiz Fux, que a Constituição contempla a imposição do critério de raça para admissão em universidade pública. Para ele, o país precisa fazer mais do que vedar a discriminação, implementando políticas que levem à integração social dos negros.
"A construção de uma sociedade justa e solidária impõe a toda coletividade a reparação de danos pretéritos perpetrados por nossos antepassados adimplindo obrigações jurídicas", disse Fux.
O voto do ministro foi interrompido por um manifestante indígena da etnia guarani que precisou ser expulso do plenário pelos seguranças do STF. O índio Araju Sepeti queria que os indígenas fossem citados pelo ministro Fux em seu voto. A política de cotas da UnB, que é tema do julgamento, inclui a reserva de 20 vagas anuais a indígenas, que não precisam fazer o vestibular tradicional.
indiostfdentro"Vocês violam os direitos de todos e não respeitam a Constituição. O Brasil é composto de três raças: raça indígena, raça branca e raça negra", disse Sepeti ao ser contido por seguranças do Supremo que o levaram para fora das grades que separam a sede do tribunal da Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Único ministro negro do STF
Joaquim Barbosa, único ministro negro do STF, acompanhou o voto do relator e ressaltou a importância das ações afirmativas para viabilizar "harmonia e paz social". Ele citou exemplo dos Estados Unidos que se tornaram "o país líder do mundo livre", após derrubar a política de segregação racial.
"Ações afirmativas se definem como políticas publicas voltadas a concretização do princípios constitucional da igualdade material a neutralização dos efeitos perversos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem", disse Barbosa.
Também acompanharam o voto do relator os ministros Cezar Peluso, Cármen Lúcia e Rosa Weber.
Contra e a favor das cotas
No primeiro dia do julgamento, a advogada do DEM, Roberta Kauffman, apresentou argumentos contra o sistema de cotas da UnB. Para ela, a seleção de quem teria direito às cotas na UnB é feitas com base em "critérios mágicos e místicos" e lembrou o caso dos irmãos gêmeos univitelinos, Alex e Alan Teixeira da Cunha. Eles se inscreveram no vestibular, em 2007, e, depois de analisadas fotos dos dois, Alan foi aceito na seleção das cotas e Alex não. Depois, a UnB voltou atrás.
"A imposição de um modelo de estado racializado, por óbvio, traz consequências perversas para formação da identidade de uma nação. [...] Não existe racismo bom. Não existe racismo politicamente correto. Todo o racismo é perverso e precisa ser evitado", disse a advogada.
A defesa da UnB argumentou que o sistema de cotas raciais busca corrigir a falta de acesso dos negros à universidade. Segundo a advogada Indira Quaresma, que representou a instituição, os negros foram "alijados" de riquezas econômicas e intelectuais ao longo da história. Para ela, a ausência de negros nas universidade reforça a segregação racial.
"A UnB tira-nos, nós negros, dos campos de concentração da exclusão e coloca-nos nas universidades. [...] Sistema de cotas é belo, necessário, distributivo, pois objetiva repartir no presente a possibilidade de um futuro melhor", afirmou a advogada da UnB.
A validade das cotas raciais como política afirmativa de inclusão dos negros foi defendida também pelo advogado-geral da União, Luís Inácio de Lucena Adams e pela vice-procuradora-geral, Deborah Duprat. Para eles, o racismo é um traço presente na cultura brasileira e que precisa ser enfrentado.
Além dos representantes da UnB, do DEM e da União, outros 10 advogados ocuparam a tribuna do STF para defender suas posições contra ou a favor das políticas de reserva de vagas em universidades tendo a raça como critério.
A maioria das entidades participou de audiência pública realizadas pelo Supremo, em março de 2010, para discutir o tema. As opiniões se dividem entre os que defendem e criticam a adoção da questão racial como critério em detrimento de outros fatores, como a renda do candidato.
Fonte: G1

7ª Edição do Nosso Jornal

Em 2002, quando cantavam as estrofes do samba “Moleque Atrevido” de Jorge Aragão a capela no anfiteatro 09 para uma plateia de estudantes ne...