- É preto? É suspeito. Ou sobre a rara presença negra nos bancos escolares da USP

preto e suspeito



 
Publicado em Terça, 10 Janeiro 2012 16:39 - 
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Houve no twitter quem perguntasse se o rapaz agredido na Universidade de São Paulo era realmente estudante da USP. Por que a dúvida? Se ele estava no centro de estudantes e afirmava ser aluno da universidade?


As universidades brasileiras de um modo geral têm poucos Ícaros, mas na USP a presença de negros nos bancos escolares é tão rara que o policial viu-se no direito de encher de porrada o estudante e lhe apontar uma arma. O policial agressor diz "Eu sou policial, eu sou policial". Para ele, sua farda lhe dá licença para bater. Quando outros alunos solicitam a identificação do policial agressor, ele diz: "Não estou fazendo nada de errado". Espancar um rapaz negro é ação legítima para a PM de São Paulo que age como capitão do mato em plena luz do dia dentro de uma universidade. Podem imaginar o que essa mesma PM faz à noite nas periferias da cidade?
No Brasil do "não somos racistas de Kamel, Magnolis e Demóstenes ser preto é ser suspeito e a universidade não é o seu lugar. Como diz Sueli Carneiro: "Para o racista a negritude chega sempre na frente dos signos de prestígio social". Assim, para o policial agressor um centro de estudantes não é lugar de preto. No máximo tolera-se a presença negra nesses espaços de prestígio social se ela estiver com vassoura ou latão de lixo na mão.
Pois bem, Nicolas Menezes Barreto é estudante de Ciências da Natureza na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), USP Leste. É ele o aluno agredido no vídeo aqui. Abaixo, depois da agressão, Nicolas mostra sua carteira de estudante da USP. Isso muda algo no fato de um policial abusar de sua autoridade contra um cidadão?

Fonte: Maria Frô

"Somos segregadas/os coletivamente, o que pode ser mais lógico do que reagirmos em grupo?"

E quanto à acusação de que negras/os estão ficando racistas?

Essa queixa é um dos passatempos favoritos de liberais frustrado/as que sentem que estão perdendo terreno na sua atuação como guias. Esses autonomeados guias dos interesses de negras/os se vangloriam dos anos de experiência na luta pela defesa dos "direitos negras/os". Eles vêm fazendo coisas para negras/os, em favor de negras/os e por causa de negras/os, mas quando estas/es anunciam que chegou a hora de fazerem as coisas por si mesmas/os, todos/as os/as liberais gritam como se fosse o fim do mundo! Ei, vocês não podem fazer isso! Você está sendo racista. Está caindo na armadilha deles. Aparentemente está tudo bem com liberais, desde que continuemos na armadilha deles/as.

As pessoas bem informadas definem o racismo como a discriminação praticada por um grupo contra outro, com o objetivo de dominar ou manter a dominação. Em outraspalavras, não se pode ser racista a menos que se tenha o poder de dominar. Negras/os estão apenas reagindo a uma situação na qual verificam que são objetos do racismo de brancos/as. Estamos nessa situação por causa de nossa pele.

Somos segregadas/os coletivamente - o que pode ser mais lógico do que reagirmos em grupo?

Quando trabalhadores/as se reúnem sob os auspícios de um sindicato para lutar por melhores condições de vida, ninguém no mundo ocidental se surpreende. É o que todo mundo faz. Ninguém os/as acusa de terem tendências separatistas. Professores/as travam suas próprias lutas, lixeiros/as fazem o mesmo, e ninguém age como guia de outra/o. Mas, de algummodo, quando negras/os querem agir por si, o sistema liberal parece encontrar nisso uma anomalia. Na verdade, é uma contra-anomalia. A anomalia se encontra antes, quando os/as liberais são presunçosos/as o suficiente para achar que cabe a eles/as lutar pelas/os negras/os.



Este texto de escuríssima capacidade foi escrito pelo líder negro sul-africano Steve Biko. [BIKO, Bantu Steve. (Frank Talk). “Alma Negra em Pele Branca?”, In.: Eu escrevo o que eu quero (I write what I like), 1970.]

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Em ato público junto com a EDUCAFRO no aniversário do STF. Distribuindo balões "Denúncia do Racismo à Brasileira" na Rodô do Plano Piloto. Em reunião na reitoria UnB.

Na sala do EnegreSer na UnB.

Nós em atividade de formação em Escola Pública do DF.

- Recepcionando os calouros no vestibular pós-ADPF. tsc .

Todo mundo becad@!!!! Protocolando a ação de Amicus Curiae no Supremo Tribunal Federal.

Maio de 2010 - Distribuindo a 3ª edição do NOSSO JORNAL na rodoviária do Plano Piloto.

Encontro norte-nordeste da Rede Mocambos em Itacaré - BA; em 11/2010.

Sessão Solene na Câmara dos Deputados

Sessão Solene na Câmara dos Deputados
NOSSO COLETIVO NEGRO em sessão solene para comemorar a premiação nacional do documentário produzido pela Tv Câmara,"Raça Humana", no qual fomos colaboradoras/es participantes. Na Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados - Congresso Nacional/Brasil. Dezembro de 2010.

- Seminário do INESC em abril de 2011.

No Afro Latinidades (Festival da Mulher Afro Latino-Americana e Caribenha), novembro de 2011.

Em atividade de comemoração do Mês da Consciência Negra, novembro de 2011, no CEF 427 - Samambaia Norte/ DF.