Juventude negra mundial aponta exigências para o seu desenvolvimento na declaração final do CUMJUVA


O desenvolvimento, fortalecimento e a promoção dos direitos da juventude afrodescendente a nível internacional, nacional, regional e comunitário foram os pilares que motivaram e culminaram num espaço plural de debates e intercâmbios culturais entre mais de 150 jovens provenientes de 40 países da Américas, Caribe, Europa, Ásia, Oceania e África reunidos em três dias de conferências na cidade de San Jose, na Costa Rica.
A Cúpula Mundial de Juventude Afrodescendente (CUMJUVA) realizada entre os dias 05 e 07 de outubro proporcionou um extenso e amplo debate entre os jovens sobre as problemáticas que impactam no exercício de seus direitos, a exemplo do racismo. Os jovens afrodescendentes compartilharam, por meio de conferências e de diálogos em mesas de trabalho, as experiências vivenciadas por eles nas áreas de educação, segurança, redes juvenis, direitos sexuais, imigração, terra e moradia, comunicação, acesso à justiça, violência, emprego e empreendedorismo, dentre outros.

Os debates e propostas de políticas públicas que permearam e foram condensadas durante a Cúpula foram compiladas na Declaração Final de San Jose CUMJUVA 2011, onde reúne 24 demandas da juventude afrodescendente do mundo. As propostas visam garantir a incidência dos jovens numa agenda global, a partir do controle social das políticas públicas e na permissão de uma inclusão equitativa para a juventude negra.


A secretária executiva do Círculo de Juventude Afrodescendente das Américas, Chandrai Estevez, anunciou que a 2ª Cúpula Mundial de Juventude Afrodescendente será realizada no ano de 2014, tendo como manifestação de interesse de sediar o evento a delegação da Colômbia.


A primeira edição da Cúpula marcou o Ano Internacional dos Afrodescendentes e foi organizada pelo Círculo de Juventud Afrodescendiente de las Américas e a Asociación Proyecto Caribe da Costa Rica, tendo apoio o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Universidade de Costa Rica, a Universidade Latino Americana de Ciência e Tecnologia, o governo de Costa Rica e empresas privadas.

Extermínio da Juventude Negra 

O Brasil foi representado por 15 jovens provenientes dos estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina, Piauí e Minas Gerais. O extermínio da juventude negra foi um dos destaques pontuados pela delegação brasileira nas mesas de trabalho. A juventude negra defendeu que esta é uma problemática que tem atingido grande parcela dos jovens negros e negras nas capitais brasileiras e deveria ser um ponto crucial na agenda dos governos e das agências internacionais. Salvador é a capital brasileira que apresenta os índices mais alarmantes quando se trata de extermínio dos jovens.

“A violência e o extermínio da juventude negra são temas recorrentes na agenda de grande parte dos países, senão em toda parte do mundo. Penso que precisamos, mas do que nunca, priorizar este tema e, sobretudo, pressionar os estados que são os agentes destas práticas, a desenvolverem políticas públicas para evitar que a situação continue neste nível de grande preocupação para toda a sociedade a nível mundial”, destacou o jovem baiano Michel Chagas, que participou do encontro.

Para ele, a CUMJUVA, além de ter sido um momento de aprendizado e construção para a juventude, também foi um espaço para mostrar o protagonismo da juventude negra, em termos autonomia, capacidade de organização, articulação e formulação. “A CUMJUVA 2011 é um marco de uma iniciativa estratégica de ação articulada da juventude negra em todas as partes do mundo. Espero que consigamos manter esta iniciativa viva e operante”, disse Chagas.


Compromissos assumidos 


Os três dias do CUMJUVA foram marcados por debates, palestras e mesas de trabalho, nas quais os jovens puderam ouvir dos representantes de governo de diversos países, agências de cooperação e de organismos regionais e internacionais, as propostas de gestão e quais as formas de comprometimento dos mesmos para com a juventude negra mundial.

Os compromissos assumidos perante os mais de 150 jovens afrodescendentes estão relacionados à promoção e adoção de instrumentos internacionais que garantam o pleno direito e desenvolvimento desta população. O diretor regional adjunto para a América Latina e Caribe do UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas) Luis Mora, que participou da conferência de abertura do CUMJUVA afirmou que pela primeira vez na história deste ano, o mundo alcançará o número de sete milhões de jovens (15-24 anos).

“Precisamos avançar em sistema de informações sobre esta população. Por isso, acreditamos que três pautas desta juventude são importantes para estarmos atuando: educação, emprego e a gravidez de adolescentes. Nos últimos 30 anos a taxa de adolescentes grávidas não diminuiu e um dos principais problemas que influenciam estas questões é a falta de informação sistemática sobre estas populações, da qual precisamos avançar”, destacou Mora.

O fortalecimento de uma rede afro-intercontinental que permita a troca de experiências e o intercâmbio cultural e educacional foi uma das expectativas pontuadas pelos representantes. “Estar aqui é assumir o compromisso de enfrentar todas as dificuldades para se reunir, tendo em vista o racismo que combatemos diariamente no mundo. Então estamos aceitando o desafio de sermos protagonistas, apesar de todos os entraves encontrados neste trabalho. Esta é a hora de lançarmos uma agenda conjunta e combater a desigualdade e discriminação que nos atinge, pois no mundo a desigualdade tem cara negra”, salientou a coordenadora do Centro de Mulheres Afro-costariquenha e integrante do Parlamento Negro das Américas, Epsy Campbell.

Ela, que foi pré-candidata à presidência da Costa Rica em 2006, ressaltou a importância e necessidade da juventude afrodescendente ocupar espaços no poder político, como forma de garantir uma educação de qualidade. “Apesar de todos os obstáculos que nos são postos, estarmos aqui reunidos hoje é um tempo para esperança e de continuar lutando pelos nossos direitos”, enfatizou Campbell.


O aumento do contingente de jovens no mundo, consequentemente de jovens negros, está atrelado à importância de sua participação dos espaços políticos, conforme ressaltou a secretária de políticas de ações afirmativas da SEPPIR, Anhamona Brito. “Os jovens precisam ser reconhecidos enquanto sujeitos políticos que têm seus anseios e necessidades. O que percebemos é que atualmente o que unifica a juventude afrodescendente é o racismo, ao mesmo tempo em que unifica, ele também segrega. O racismo dá vazão a uma separação sociológica a justificar a distribuições de condições morais e sociais. Pensar na mudança desse paradigma tem que ser nossa prioridade”, disse.


Texto: Juliana Dias, da Costa Rica. Reportagem especial para o Correio Nagô.
Fotos: Sabelo Kwabena e Natelee Noreyda

Postado por Instituto Mídia Étnica em 11 outubro 2011 às 17:30

FONTE: 
http://correionago.ning.com









"Somos segregadas/os coletivamente, o que pode ser mais lógico do que reagirmos em grupo?"

E quanto à acusação de que negras/os estão ficando racistas?

Essa queixa é um dos passatempos favoritos de liberais frustrado/as que sentem que estão perdendo terreno na sua atuação como guias. Esses autonomeados guias dos interesses de negras/os se vangloriam dos anos de experiência na luta pela defesa dos "direitos negras/os". Eles vêm fazendo coisas para negras/os, em favor de negras/os e por causa de negras/os, mas quando estas/es anunciam que chegou a hora de fazerem as coisas por si mesmas/os, todos/as os/as liberais gritam como se fosse o fim do mundo! Ei, vocês não podem fazer isso! Você está sendo racista. Está caindo na armadilha deles. Aparentemente está tudo bem com liberais, desde que continuemos na armadilha deles/as.

As pessoas bem informadas definem o racismo como a discriminação praticada por um grupo contra outro, com o objetivo de dominar ou manter a dominação. Em outraspalavras, não se pode ser racista a menos que se tenha o poder de dominar. Negras/os estão apenas reagindo a uma situação na qual verificam que são objetos do racismo de brancos/as. Estamos nessa situação por causa de nossa pele.

Somos segregadas/os coletivamente - o que pode ser mais lógico do que reagirmos em grupo?

Quando trabalhadores/as se reúnem sob os auspícios de um sindicato para lutar por melhores condições de vida, ninguém no mundo ocidental se surpreende. É o que todo mundo faz. Ninguém os/as acusa de terem tendências separatistas. Professores/as travam suas próprias lutas, lixeiros/as fazem o mesmo, e ninguém age como guia de outra/o. Mas, de algummodo, quando negras/os querem agir por si, o sistema liberal parece encontrar nisso uma anomalia. Na verdade, é uma contra-anomalia. A anomalia se encontra antes, quando os/as liberais são presunçosos/as o suficiente para achar que cabe a eles/as lutar pelas/os negras/os.



Este texto de escuríssima capacidade foi escrito pelo líder negro sul-africano Steve Biko. [BIKO, Bantu Steve. (Frank Talk). “Alma Negra em Pele Branca?”, In.: Eu escrevo o que eu quero (I write what I like), 1970.]

((()))º((()))º((()))º((()))º((()))º((()))º((()))º((()))º


Em ato público junto com a EDUCAFRO no aniversário do STF. Distribuindo balões "Denúncia do Racismo à Brasileira" na Rodô do Plano Piloto. Em reunião na reitoria UnB.

Na sala do EnegreSer na UnB.

Nós em atividade de formação em Escola Pública do DF.

- Recepcionando os calouros no vestibular pós-ADPF. tsc .

Todo mundo becad@!!!! Protocolando a ação de Amicus Curiae no Supremo Tribunal Federal.

Maio de 2010 - Distribuindo a 3ª edição do NOSSO JORNAL na rodoviária do Plano Piloto.

Encontro norte-nordeste da Rede Mocambos em Itacaré - BA; em 11/2010.

Sessão Solene na Câmara dos Deputados

Sessão Solene na Câmara dos Deputados
NOSSO COLETIVO NEGRO em sessão solene para comemorar a premiação nacional do documentário produzido pela Tv Câmara,"Raça Humana", no qual fomos colaboradoras/es participantes. Na Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados - Congresso Nacional/Brasil. Dezembro de 2010.

- Seminário do INESC em abril de 2011.

No Afro Latinidades (Festival da Mulher Afro Latino-Americana e Caribenha), novembro de 2011.

Em atividade de comemoração do Mês da Consciência Negra, novembro de 2011, no CEF 427 - Samambaia Norte/ DF.